Relógios Mecânicos
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Autor Tópico: Movimento "Tipo Roskopf"  (Lida 1052 vezes)
M_R_V
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Mauro R. V.


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« : 31 Maio 2013 às 12:39:29 »

Cá estou eu de volta com uma curiosidade.  Sorridente

Volta e meia os relojoeiros ao examinar um relógio usam essa expressão "tipo Roskopf".
De início achava que era só um eufemismo para descrever movimentos "baratos" sem rubis, pin lever, mas as vezes parecem referir à alguma característica técnica do relogio.

Daí minha pergunta: a expressão é só um eufemismo ou tem referencia com características técnicas da Patente Roskopf?
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« Responder #1 : 31 Maio 2013 às 13:42:35 »

achei esse artigo traduzido, acho que pode ajudar. no link tem fotos, vale à pena ir ao link.

http://www.relogioserelogios.com.br/fatos_historia.asp?idDica=12

O relógio Roskopf
Por Wilson Gomes de Oliveira
   Georges F. Roskopf (1813-1889) nasceu na Alemanha e naturalizou-se suíço.

Em 1829 foi para a cidade de La Chaux de Fonds e começou o aprendizado em comércio com F. Mairet & Sandoz, que tinha um negócio de ferragens e peças para relógios.

Em 1833 ele decidiu se tornar um relojoeiro e foi começar o aprendizado com J. Biber, em La Chaux de Fonds.

Financiado por sua esposa, ele abriu um negócio como um "établisseur", ou seja, produtor de relógios que comprava os mecanismos e todas as outras partes de relógios e os montava. Ele fabricou relógios com os sistemas de cilindro e âncora para exportar para a América do Norte e Bélgica.

Os relógios eram bem feitos, mas o negócio não foi rentável e, em 1850, Roskopf decidiu vendê-lo.

Em 1851, ele se tornou sócio de B. J. Guttman Frères (Wurzburg), que era o gerente de uma fábrica em "La Chaux de Fonds". Eles fabricaram relógios do tipo "inglês".

Em 1855, Georges Roskopf abriu uma companhia com o seu filho, Fritz Edouard, e Henri Gindraux, com o nome de Roskopf, Gindraux & Co.

Dois anos depois, o filho abriu seu próprio negócio em Genebra e Gindraux foi para Neuchâtel para se tornar o diretor da escola de relojoeiros.

Roskopf foi um idealista que sonhou em fazer relógios baratos e de boa qualidade para a classe trabalhadora. Para atingir seus ideais, ele usou uma velha idéia, na qual os ponteiros eram impulsionados diretamente pelo eixo (árvore) da mola principal ("mainspring"), na qual está acoplada a roda minuteria, ele trabalhou nesse projeto outra vez.

Em 1860, ele começou a fabricar um relógio que poderia ser vendido por 20 francos, que, além de ter excelente qualidade, era simples e sólido. O relógio tinha um grande tambor no centro, o escapamento por pinos de Perron e balanço monometálico. Depois de discussões com Moritz J. Grossman, ele adotou o sistema de escape com pinos, simples e intercambiável (separadamente).

Lista das propriedades do novo calibre:

1. Escapamento em uma plataforma usando âncora com pinos, mas com a possibilidade de se poder usar âncora normal ou cilindro,

2. Ausência de roda central e sim um tambor de corda maior;

3. Impulsão dos ponteiros diretamente através do eixo do tambor;

4. "Philippe free spring", uma mola que permite o ajuste das horas sem que o mecanismo pare de funcionar;

5. Botão para ajuste de horas, quando é pressionado.


O movimento Roskopf
Roskopf encontrou indiferença e hostilidade entre os fabricantes de relógios da região, os quais continuaram trabalhando como "indústria caseira", pois não estavam de acordo e não desejavam fazer relógios como os que Roskopf oferecia. Em 1866, por exemplo, Roskopf fez um pedido de duas caixas de mecanismos para Emile Roulet e pediu a Gustava Rosselet para fazer os escapamentos. Ambos recusaram a atender esses pedidos ao perceberem o "destino" das peças. Então, em 1867, ele começou a produzir um modelo de relógio usando "ébauches" e caixas da Malleray Watch Co., e peças de muitos outros fabricantes, tendo eles sido montados em Damprichard, França, por M. Chatelain. O pedido original feito a Malleray foi de 2000 peças (caixas e ébauches). No fim de 1867, ele estava "dentro" do negócio e, em 1870, ele já tinha pedido 20.000 caixas e "ébauches" (a Malares).

Roskopf registrou a patente nos Estados Unidos com o numero 75.463, no dia 10 Março de 1868, a qual descrevia um escapamento intercambiável para relógios (na patente dizia que o escapamento poderia ser adaptado para ser usado em sistema "cilindro" ou "âncora", com pinos). Roskopf patenteou seu relógio na França com a patente n. 80611, em 25 de Março de 1868, para um mecanismo com um tipo de plataforma ajustável para o escapamento. Ele registrou suas patentes em diversos países (Bélgica, No. 21988, 3 agosto. 1867) mas nunca na Suíça, porque o país ainda não tinha um sistema de registro de patentes, e, também, porque a idéia já tinha sido usada antes.

Através da influência da casa Breguet em Paris, à Roskopf foi permitido apresentar seu modelo de relógio na "Feira Universal de Paris", em 1868, e ganhou uma medalha de bronze. Desde então, Breguet começou a enviar seus pedidos de peças. Alguns mecanismos foram fornecidos para a Borel & Courvoisier. Outros pedidos também foram atendidos.

como foi mencionado, antes vários fabricantes não queriam fornecer peças para G.F.Roskopf, porque seriam destinadas a relógios baratos

O relógio Roskopf foi mostrado na Exibição de Amsterdam (Holanda) em 1869 e ganhou medalha de prata.

Em 1870, Georges Roskopf introduziu um segundo modelo com mecanismo de ajuste: este relógio custava 25 francos. Tinha um número reduzido de peças, simplificado encaixe de escapamento e um aperfeiçoado sistema de dar corda. O escapamento foi montado em sua própria plataforma ajustável.

No grande tambor de corda, ele conseguiu o direito de usar a mola real (mola da corda) de Adrien Philippe (Patek Philippe), sistema no qual o relógio não pára quando se dá corda, logicamente ele pagou os direitos autorais para usá-la em cada relógio.

Em 1873, Roskopf transferiu seus negócios a Wille Freres e seu associado, Ch. Leon Schmid.

Quando Roskopf morreu, em 1889, um grande número de firmas reclamaram o direito de ser o sucessor de "Roskopf", mas Wille Freres já detinha os direitos da firma.

Wille Freres e Vve. Ch. L. Schmid já vinham usando a marca Roskopf anos antes da morte de G. F. Roskopf, com a sua permissão.

A partir dessa idéia, os relógios do tipo Roskopf foram se tornando populares na Suíça e várias companhias começaram a fabricar relógios com "Sistema Roskopf".

Com a intenção de serem realmente baratos, os mecanismos foram feitos por máquinas e não eram muito bem acabados.

Estes últimos mecanismos usam âncora com pinos e o escapamento não tem sua própria plataforma, enquanto que nos modelos fabricados desde 1868 sim, tinham a plataforma do escapamento ajustavel.

Tradução e comentários : Wilson Gomes de Oliveira - Paineiras - MG
Gostaria de agradecer ao Sr Roland Buser por gentilmente permitir a tradução do texto.
Fonte: http://www.datacomm.ch/rbu/index.html
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Mauro R. V.


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« Responder #2 : 31 Maio 2013 às 13:53:24 »

A partir dessa idéia, os relógios do tipo Roskopf foram se tornando populares na Suíça e várias companhias começaram a fabricar relógios com "Sistema Roskopf".

Com a intenção de serem realmente baratos, os mecanismos foram feitos por máquinas e não eram muito bem acabados.

Estes últimos mecanismos usam âncora com pinos e o escapamento não tem sua própria plataforma, enquanto que nos modelos fabricados desde 1868 sim, tinham a plataforma do escapamento ajustavel.

Olá ogum777. Grato pelo texto. A historia dos Roskopf é bem interessante.
Minha curiosidade é se esses movimentos sem rubis baratos antigos seriam realmente baseados no "Sistema Roskopf".
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« Responder #3 : 31 Maio 2013 às 14:05:02 »

Pois é...

Eu creio que seja mesmo difícil dizer, com qual objetivo o termo é hoje usado por alguns...

Pois pode até beirar o "pejorativo"...
Mais ou menos algo como dizer...   É um movimento "do tempo do Onça".  Rolar os Olhos  Língua

Mas,...
Como sabemos, os "roskopf", num geral, são parte da história da Horologia.
Mesmo que nós saibamos que o nome virou um quase genérico e que por isso possa se referir a diversas origens, nem sempre oriundas do Georges F. Roskopf.

Há nomes que remetem a "filhos", "descendentes", etc...   O que nem sempre é verdade.

Alberto
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« Responder #4 : 31 Maio 2013 às 15:20:59 »

parceu-me um projeto interessante.

mas pelo jeito, teve muitos filhotes feitos à máquina, ou mal-feitos, e isso parece ter "queimado o filme" do projeto.

gostaria de saber se alguém fizesse um movimento desse caprichado, qual seria seu desempenho. pois é um conceito bem diferente, não é?
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« Responder #5 : 31 Maio 2013 às 19:06:42 »

achei esse artigo traduzido, acho que pode ajudar. no link tem fotos, vale à pena ir ao link.

http://www.relogioserelogios.com.br/fatos_historia.asp?idDica=12

O relógio Roskopf
Por Wilson Gomes de Oliveira
   
Tradução e comentários : Wilson Gomes de Oliveira - Paineiras - MG
Gostaria de agradecer ao Sr Roland Buser por gentilmente permitir a tradução do texto.
Fonte: http://www.datacomm.ch/rbu/index.html
Revisado por Flávio Maia


 Legal Legal Legal

Nessa época eu estava restaurando e colecionando Roskopfs...
descobri que existiam mais de 20 modelos diferentes..
o que dificultava muito o meu trabalho, resultado...
vendi tudo e fiquei só com uns 4 relógios

abraços,

wilson gomes de oliveira
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« Responder #6 : 01 Junho 2013 às 01:35:31 »

achei esse artigo traduzido, acho que pode ajudar. no link tem fotos, vale à pena ir ao link.

http://www.relogioserelogios.com.br/fatos_historia.asp?idDica=12

O relógio Roskopf
Por Wilson Gomes de Oliveira
   
Tradução e comentários : Wilson Gomes de Oliveira - Paineiras - MG
Gostaria de agradecer ao Sr Roland Buser por gentilmente permitir a tradução do texto.
Fonte: http://www.datacomm.ch/rbu/index.html
Revisado por Flávio Maia


 Legal Legal Legal

Nessa época eu estava restaurando e colecionando Roskopfs...
descobri que existiam mais de 20 modelos diferentes..
o que dificultava muito o meu trabalho, resultado...
vendi tudo e fiquei só com uns 4 relógios

abraços,

wilson gomes de oliveira

e como eles funcionavam, wilson? precisos?
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« Responder #7 : 01 Junho 2013 às 10:26:38 »

Bom dia Ogum,

olha, quando não estão muito "mexidos", funcionam bem sim,
o problema é tem gente que acha que Roskopf é tudo igual, aí então
tiram peças de um e colocam em outro, mesmo sendo diferentes,
fazendo então a famosa "gambiarra", batem daqui e rebatem dali,

uma que a gente vê muito é aquela ajeitadinha na ponte do balanço,
quando o eixo é maior ou menor, eles dão umas batidinhas debaixo da ponte
para levantar ou abaixar ela,

abraços,

wilson
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« Responder #8 : 01 Junho 2013 às 15:33:17 »

entendi, como bicicleta antiga... hehehehe

gostei de ter uma ideia de como é esse conceito, que é bem diferente do padrão que vemos por aí, generalizado.
achi interessante esse pdf. com muitos dados históricos.

http://www.watkinsr.id.au/Buffat.pdf
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« Responder #9 : 01 Junho 2013 às 15:41:08 »

esse tb é interessante, e dá pra entender como funciona esse tipo de escapamento.

http://www.musketeer.ch/watches/roskopf.html

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« Responder #10 : 05 Junho 2013 às 11:09:34 »

Wilson, parabéns pelo trabalho.

Já tive mais de 25 relógios de bolso, agora só tenho um Roskopf, um Waltham, um Omega e um Mirvaine.

Todos com mostrador sem defeitos e revisados.

Grande abraço.
Pandolfi
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Time what its time...


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« Responder #11 : 06 Junho 2013 às 12:37:37 »

Só como curiosidade, esse bunitão aqui que foi revisado recentemente parece ter um movimento diferente desse que vcs estão discutindo aqui, certo???

vou colocar o link do post original...  http://forum.relogiosmecanicos.com.br/index.php?topic=9375.0

Abraço

Rafa
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« Responder #12 : 06 Junho 2013 às 13:25:55 »

Só como curiosidade, esse bunitão aqui que foi revisado recentemente parece ter um movimento diferente desse que vcs estão discutindo aqui, certo???

vou colocar o link do post original...  http://forum.relogiosmecanicos.com.br/index.php?topic=9375.0

Abraço

Rafa

não é não... é o mesmo movimento.
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« Responder #13 : 06 Junho 2013 às 15:04:39 »

Pela própria concepção do escapamento, dá para perceber que isso é uma fonte de atrito, lubrificação que não sem mantém no lugar, não tem compensação para temperatura... Enfim, o conceito deles, quando surgiram, era ser "mais ou menos" descartável. Funcionar, funcionam, mas não é aquela Brastemp. Ei, há uma exceção: a Oris fez modelos com escapamento por pinos nos anos 60 que, acreditem se quiser, passaram no COSC.


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Mauro R. V.


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« Responder #14 : 06 Junho 2013 às 15:25:08 »

Pela própria concepção do escapamento, dá para perceber que isso é uma fonte de atrito, lubrificação que não sem mantém no lugar, não tem compensação para temperatura... Enfim, o conceito deles, quando surgiram, era ser "mais ou menos" descartável. Funcionar, funcionam, mas não é aquela Brastemp. Ei, há uma exceção: a Oris fez modelos com escapamento por pinos nos anos 60 que, acreditem se quiser, passaram no COSC.
Flávio

Olá Flavio.
Mas quanto descartável eram?
Sou novato no assunto e tenho alguma dificuldade para quantificar isso, pois acho que o próprio conceito de descartável foi mudando muito com o tempo.

Um relógio descartável desses que se compra em camelô atualmente creio que mal dura um ano. Mas um desses "tipo Roskopf" dos anos 70 é fácil de encontrar ainda funcionando bem atualmente. Como seriam numa comparação com as falsificações atuais de movimentos conceituados?

Desculpe a pergunta pouco relevante para o grupo. É falta de experiencia com os parâmetros que voces estão habituados. Um dia chego lá.  Sorridente Sorridente
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